Sábado, Junho 27

Michael Jackson


Michael Jackson sou eu,
é você,
somos todos nós
....eu chorei, simplesmente chorei....

porque ele mostrou um lado muito humano, muito louco também...um mundo todo seu...todo nosso..que fazemos muita força para controlar...e ele expressou...mudou o rosto, mudou de cor, mudou de personalidade...mas quem era Michael? Que mistérios cercavam sua vida?

Ele expressou e mostrou todos os conflitos, sua sexualidade indefinida, eterna infância, fobias de fantasmas, fixação em crianças, talento incomparável, um músico e bailarino genial....Você pode dizer tudo, mas não pode dizer que ele era um cara comum....parecia de outro lugar...um lugar que só ele conhecia...muita luz e muito tormento também...Nós o perdemos e sentimos muito sim...porque apesar dessa névoa que o cercava, vemos nele também um brilho original.

Fica em paz, Michael.

Ensina agora os anjos a dançarem.

Sábado, Maio 16

Tempo de aconchego...


Pois aqui estou eu, me enrolando para desfazer a minha mala das roupas de inverno que ficam guardadas....esperando este momento que chegou...mais um inverno que chega aqui nestes pampas gaúchos...hoje foi um dia de sol, esta luz clara do céu de outono..é um azul diferente...um friozinho gostoso, com um sol ainda bem quente...


Tenho trabalhado bastante...algumas mudanças seguem ocorrendo...meu ambiente de trabalho mudou muito, e para melhor...está um ambiente mais amigo e estamos fazendo um trabalho de harmonização...humanizando o lugar....meu setor é o setor de provas, fazemos as provas dos concursos públicos, vestibulares, etc. Muita pressão e responsabilidade...mas estou aprendendo também muitas coisas...


Minha análise acabou...durou 6 meses...e se precisar estou pensando em procurar a minha ex-analista...com a qual me tratei por muitos anos...mas ainda não é tempo....


A Lana tá muito querida, falando muitas palavrinhas, cresceu muito também...está muito engraçada, faz brincadeiras, a cada dia tem uma nova surpresa...


Tem a sua parede no quarto para riscar, faz colagens, já recorta figuras, monta quebra-cabeças, cuida das bonecas e adora os progamas do dicovery kids: o favorito é o Hi -5 cinco sentidos...ela adora, canta e dança junto...


Mas ainda tá de fraldas, começamos a tirar, mas não estamos forçando...e agora com o frio fica mais difícil. E ela tá só com 2 anos e 3 meses...ainda é cedo...será?
Agora vamos comer pipoca e pinhão....hummmmm, delícias do inverno...

Quinta-feira, Maio 7

A LUA CHEIA DO BUDA

INSPIRE-SE:

http://www.youtube.com/watch?v=NdZekyB4Eg4

Segunda-feira, Março 30

Poemito


Eu ando e vejo...
sinto ao olhar cada pessoa

Cada olhar, cada respiração...

A vida a pulsar...espia

Por favor...não se contenha....SEJA

Sinta e seja

Você

Livre

A cada instante

pulsante

Como uma criança

Magia

Delicadeza

Pra você

E pra todo mundo

Brincadeira

Beleza

Por aí...
Barquinho de papel
Pra navegar no céu!

Terça-feira, Março 24

Um banquinho no jardim...


Domingo, Março 22

Você acredita em Deus?

Os trinta e três nomes de Deus:



De vez em quando perguntam-me se acredito em Deus.



Mas é claro. Acredito mais que a maioria das pessoas.

Tenho até trinta e três nomes para ele.

Esses nomes foi a Margueritte Yourcenar que me contou.

Ela foi uma escritora maravilhosa, autora do livro Memórias de Adriano, quem lê nunca mais esquece, quer ler de novo.



Pois esses são os trinta e três nomes de Deus que ela me ensinou.



É só falar o nome, ver na imaginação o que o nome diz, para que a alma se encha de uma alegria que só pode ser um pedaço de Deus...



Mas é preciso ler bem devagarinho...



1.Mar da manhã.

2.Barulho da fonte nos rochedos sobre as paredes de pedra.

3.Vento do mar de noite, numa ilha...

4.Abelha.

5.Vôo triangular dos cisnes.

6. Cordeirinho recém-nascido....

7.Mugido doce da vaca, mugido selvagem do touro.

8.Mugido paciente do boi.

9. Fogo vermelho no fogão.

10.Capim.

11.Perfume do capim.

12.Passarinho no céu.

13.Terra boa...

14.Garça que esperou toda a noite, meio gelada, e que vai matar sua fome no nascer do sol.

15. Peixinho que agoniza no papo da garça.

16. Mão que entra em contato com as coisas.

17.A pele, toda a superfície do corpo

18. O olhar e tudo o que ele olha.

19.As nove portas da percepção.

20.O torso humano.

21.O som de uma viola e de uma flauta indígena.

22.Um gole de uma bebida fria ou quente.

23.Pão.

24.As flores que saem da terra na primavera.

25.Sono na cama.

26. Um cego que canta e uma criança enferma.

27. Cavalo correndo livre.

28.A cadela e os cãezinhos.

29.Sol nascente sobre um lago gelado.

30.O relâmpago silencioso.

31. O trovão que estronda.

32.O silêncio entre dois amigos.

33.A voz que vem do leste, entra pela orelha direita e ensina uma canção...”



Agradeço ao Carlos Brandão por haver me apresentado os trinta e três nomes de Deus da Margueritte.



Não é preciso que sejam os seus.



Faça a sua própria lista.



Eu incluiria: Ouvir a sonata Apassionata de Beethoven. Sapos coaxando no charco. O canto do sabiá. Banho de cachoeira. A tela “Mulher lendo uma carta”, de Vermeer. O sorriso de uma criança. O sorriso de um velho. Balançar num balanço tocando com o pé as folhas da árvore... Morder uma jabuticaba...



Todas essas coisas são os pedaços de Deus que conheço... Sim, acredito muito em Deus.

Rubem Alves

Jardim...por Rubem Alves



Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só.


Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo.


T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra".


A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo.


Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade.


Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria."(Clique aqui para você ler um texto sobre jardins)


Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim.


Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir.


Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho.


Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora.


Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma...


Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra.


Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.



O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.


Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado.


E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.


Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.


Não chamei paisagista.


Paisagistas são especialistas em jardins bonitos.


Mas não era isto que eu queria.


Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam?


Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades...


Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber.


Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins.


Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior.


A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!


Mas não era bem isto que eu queria.


Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade.


O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido...


Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto.


Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...


Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas...


Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu.


Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:


Se, no teu centroum Paraíso não puderes encontrar,não existe chance alguma de, algum dia,nele entrar.


Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:


"No mistério do Sem-Fim,equilibra-se um planeta.E, no planeta, um jardim,e, no jardim, um canteiro:no canteiro, uma violeta,e, sobre ela, o dia inteiro,entre o planeta e o Sem-Fim,a asa de uma borboleta."


Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política.


Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração.


E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (O retorno eterno, p 65).