sexta-feira, julho 6

Gabriela

Tenho visto a novela Gabriela de Jorge Amado, que está sendo represada em uma nova versão. Uma história muito interessante, retratando a vida daquele povo de Ilhéus, Bahia nos anos 20. O que muito me impressiona é o quanto os tabus daquela época ainda hoje são tabus...mesmo que na cabeça de muita gente.

As mulheres de família criadas para casar e submeterem-se a um esquema ridículo de repressão e paternalismo. Usadas pelos maridos, sem desejo, sem orgasmo, sem voz.

As prostitutas, vivem uma eterna farra, embora ressentidas com o peso da profissão e o fato de não serem as moças de família. Pois só estão no Bataclã, porque nasceram em famílias pobres. Seus desejos já nasceram frustrados, não podem ser amadas, só desejadas...

Os homens, aos quais tudo era permitido, divididos entre o prazer e as obrigações familiares. Os coronéis, representando a voz da moral e se ocupando em evitar qualquer "ousadia" em relação às filhas...porque mulher que não é virgem é mulher da vida...não pode casar com homem honesto.

Enfim, Gabriela, o único ser livre. Vive sua sensualidade, sua inocência, sua graça, sem precisar de nenhuma promessa, nenhuma garantia. Como se representasse toda potencialidade daquela gente...mas de qualquer maneira, todos personagens tem alma, poesia...um primor este Jorge Amado.

2 comentários:

elvira carvalho disse...

Em Portugal vimos a primeira versão c eu li o livro. Devo dizer que gosto muito do Jorge Amado, e que li quase todos os seus livros.
Um abraço e bom Domingo

Débora disse...

LINDO!