segunda-feira, março 14

Em casa, de molho....

“Os seres humanos comuns nunca experienciam o verdadeiro sofrimento e a verdadeira tristeza, pois eles vivem vidas mecânicas e rotineiras, e seus problemas são rotineiros, automáticos e inescapáveis. Mas uma pessoa que por vontade própria assumiu a extraordinária e desnecessária sobrecarga do trabalho, somente ela sabe o sabor da verdadeira tristeza e dos males do coração, pois sofrerá a dor e as pressões que a vida comumente não requer.” Gurdjieff.
Osho comenta:
Somente um homem como Gurdjieff, poderia fazer tal afirmação. Mas ela é, de fato, verdadeira. Ele está dizendo:
“Os seres humanos comuns nunca experienciam o verdadeiro sofrimento e verdadeira tristeza, pois vivem vidas mecânicas e rotineiras…”
Não é que não haja sofrimento, mas eles estão acostumados a ele. Em segundo lugar, o sofrimento deles é reprimido. Eles vivem numa camada muito estreita de consciência; por baixo, ele está no inferno. De vez em quando ele vem à tona, mas, de um modo geraal, o ser humano comum vive toda sua vida sem saber quanto sofrimento, quanta miséria ele carrega dentro de si.
De certo modo, ele é feliz e, de outro modo, o mais infeliz, porque se tivesse se tornado cosnciente de sua miséria e sofrimento, não haveria ninguém que pudesse impedi-lo de sair fora dessa inconsciência, sair fora dessa vida mecânica rotineira e tornar-se um ser acordado, consciente.
Domínio da inconsciência
Mas eu digo, que por outro lado, ele é feliz, porque ele não sabe que está carregando um inferno inteiro dentro de si mesmo. Basta uma espetada no seu saco de bagagem e você verá quanta miséria, quanto sofrimento. As pessoas nem sequer falam sobre essas coisas, porque até as palavras podem provocar o emergir de seus próprios sofriementos à superfície. As pessoas não falam da morte…
Eis o que Gurdjieff está dizendo: O verdadeiro sofrimento e a verdadeira tristeza nunca se tornam uma experiência para o ser humano comum. E, ao dizer “ser humano comum”, ele não está condenando ninguém. Ele está simplesmente dizendo: todo ser humano inconsciente é um ser humano comum. Ele não tem consciência nem de si mesmo – o que pode ser mais comum? Ele viveu uma vida de setenta anos e não se encontrou.
Mas a razão é que as pessoas criam barreiras entre elas mesmas e suas realidades inconscientes, que contêm vidas de sofrimento, de dor. Elas têm medo de se confrontar com isso. E a menos que o encarem, não poderão encarar aquilo que é nossa verdadeira natureza – nossa eternidade, nossa alegria, nossa dança, nossas flores.
As pessoas não podem alcançar suas próprias flores. Existe uma grande barreira de sofrimento reprimido no inconsciente…
E você sabe como o sofrimento é reprimido. por exemplo, alguém morre e você começa a chorar. Imediatamente, algum sábio vai lhe dizer: “Não seja emotivo: a morte é uma coisa natural, acontece a todo mundo. Não há nada nela. E lágrimas não é coisa de homem. Você é uma mulher?”.
A verdadeira fonte da vida
Mesmo a garotos pequenos se diz: “Não seja maricas!”. Seus pais morreram e eles não podem chorar, porque isso os deixaria expostos… – eles não seriam homens, fortes, não-emotivos, corajosos, que podem encarar tudo.
Esse choro e lágrimas são permitidos às mulheres.
Mas isso não quer dizer que essa afirmação é verdadeira somente em relação aos homens e não às mulheres. Ela é mais verdadeira quanto aos homens, mas também é verdadeira quanto às mulheres. Elas também vão reprimindo suas tristezas, suas misérias, de modos diferentes. Apenas o modo é diferente. Elas se distraem com suas jóias, com a televisão, fazendo compras, indo daqui para ali, falando sem parar. Elas estão evitando algo, fugindo de algo. Elas não querem ver aquilo; querem se esquecer das feridas que existem dentro.
Assim, de certo modo, elas são felizes, mas não realmente. Os verdadeiramente afortunados são aqueles sobre quem Gurdjieff diz:
“…um ser humano que por vontade própria assuimiu a extraordinária e desnecessária sobrecarga do trabalho…”
Olhe para suas palavras: nenhum mestre foi capaz de fazer tais afirmações… – é por isso que ele foi o homem mais mal compreendido que se possa imaginar. Ele está dizendo: “Um ser humano que por vontade própria assumiu a extraordinária e desnecessária sobrecarga do trabalho…”.
E por “o trabalho” ele quer dizer cavar dentro da sua inconsciência, indo tão fundo quanto possível. A menos que você alcance a verdadeira fonte da sua vida, você terá de sofrer muito.
As marcas do tronco
É desnecessário, diz ele, porque você pode viver como uma pessoa comum. Ninguém o está obrigando. É extraordinário, porque as pessoas comuns vão à igreja, não para dentro de si mesmas. Elas lêem a Bíblia, elas não lêem seus próprios inconscientes. Elas fazem adoração no templo, mas elas não se expõem na meditação.
Gurdjieff costuma dar o nome de “trabalho”, porque ele é assumido somente por pessoas muito inteligentes, corajosas, fortes – pela simples razão de que você pode viver sem entrar em tudo isso, você pode apenas ser um agente ferroviário por toda sua vida, ou um negociante, ou um funcionário, ou um padre. Não há nenhuma necessidade de se entrar em tal sofrimento e tristeza.
Mas você não escapará disso. Mesmo na sua próxima vida, isso continuará, e acumulará masi sofrimento desta vida. Cada vida, camada após camada, vai coletando tudo que não foi vivido, expresso, que ficou inacabado, não-vivido, reprimido.
No budismo – e talvez somente no budismo – há uma técnica para se descobrir quantas vidas você já viveu antes. E o modo é contar as camadas – da mesma foram que ao cortar o tronco você sabe da vida da árvore pelos círculos, quantos anos elas tem, porque a cada ano um círculo é feito. Assim, se a árvore tem duzentos anos de idade, você encontrará duzentos círculos na madeira.
Exatamente do mesmo modo, cada vida deixa um círculo de sofrimento e tristeza dentro de você. Isso pode ser contado, a quantas vidas você vem reprimindo, quantas vidas você viveu antes. Mas, quanto mais você viveu, mais difícil se torna entrar no seu reino interior.
A única ponte
O sacerdote comum, o pregador fala sobre coisas lindas – boas ações, virtude, caridade, compartilhar…e você entrará no reino de Deus. Não é tão fácil assim. Primeiramente, você tem de acabar com todo seu inconsciente. E esse inconsciente é o que os místicos chamam de “a noite escura da alma”.
Somente gente muito inteligente assumirá essa carga desnecessária, porque:
“…somente ele sabe o sabor da verdadeira tristeza e do mal do coração, pois ele sofrerá a dor e as pressões que a vida comumente não requer.”
Você pode viver muito superficialmente, você pode evitar a noite escura da alma, mas se você evitar a noite escura da alma, você estará evitando todos os seus tesouros. Você estará evitando o próprio siginficado da sua vida e existência. Desse modo, o ser humano inteligente assume o desafio e entra no túnel escuro, que parece ser sem fim. Mas ele termina um dia. Se você for com coragem, sabendo que pessoas foram além dele – essa é a beleza de se estar com um mestre, porque você sabe que, pelo menos, um exemplo está diante de você e com você, alguem que está esperando fora do túnel e que o está chamando constaantemente para entrar no túnel…porque, a menos que você entre, você não pode sair dele. Não há como se desviar dele.
Há milhares de impostores no mundo, e o trabalho deles é o de lhe dizer como se desviar da escuridão e do sofrimento e da tristeza e simplesmente tornar-se um iluminado. Basta uma meditação trnascendental, repetindo um certo nome, e você se tronará uma alma realizada. Não há nenhuma conexão nisso, não há nenhum trabalho autêntico. O que acontecerá ao seu insconciente? O que acontecerá ao seu inconsciente coletivo? Você esta tentando desviar-se deles, simplesmente abandonando-os. Esse não é o caminho.
O caminho vai através deles, sabendo perfeitamente que há alguem com você que já atravessou e foi além. Não que você precise, como uma absoluta necessidade, da presença de um mestre. Se você tem o coração e a confiança, até mesmo um Gautama Buda, de vinte e cinco séculos atrás, servirá. Depende da sua confiança, porque sempre houve pessoas, por todo o mundo, confirmando isso: “Simplesmente entre atentamente na escuridão do inconsciente, acordado, alerta, porque esse é o único modo de passar através disso.”. A consciência é a única ponte entre você e o seu supremo florescimento.
Osho – tradução de Ma Anand Samasthi.

3 comentários:

Drika Reis - A Arqueira da Lua disse...

Olá!!!
Como faço pra colocar no meu blog o contador de visitantes????
Vc pode me ajudar, por favor????
Beijos!!!!

Magali disse...

hum...tenho que ver...

Alguém disse...

Acho que comecei a me preocupar muito com meus problemas , quando deichei de me importar o suficiente com os outros...Também percebi que faltam pessoas dentro da casa de Deus que amem verdadeiramente o próximo.